segunda-feira, 20 de abril de 2015

Falta de água pode aumentar índices de infestação da dengue na Paraíba

Mal armazenamento da água pode ser um dos motivos. Paraíba tem 53 cidades com risco de surto da dengue.

A falta de água pode estar contribuindo para os altos índices de infestação do mosquito Aedes aegypti em cidades paraibanas. Segundo a vigilância ambiental, os focos dos mosquitos têm crescido em algumas cidades da Paraíba e o motivo, na maioria das vezes, é o mal armazenamento da água.

No último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), divulgado pelo Ministério da Saúde no mês de março, 53 cidades da Paraíba apresentavam risco de surto da dengue, com índice de infestação de mais de 4%. Diante da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, o índice de 1% é considerado satisfatório e 1% e 3,9%, a situação é de alerta.

A cidade de Puxinanã, no Agreste do estado, tem cerca de 13 mil habitantes e apresenta um dos maiores índices de infestação entre as cidades com risco de surto de dengue na Paraíba, com 10,3%. O supervisor da vigilância ambiental do município, Carlos Alberto, acredita que a seca faz com que as pessoas armazenem mais água dentro de casa e que isso tem aumentado os focos do mosquito na cidade.

“Eu atribuo este índice ao colapso no abastecimento de água na cidade. Com isso, aumenta a quantidade de reservatórios nos domicílios e consequentemente aumentam os focos. Estes depósitos são reabastecidos duas vezes por semana com o carro pipa e a gente aplica o larvicida para a duração de dois meses. Quando a pessoa reabastece o depósito pela segunda vez na mesma semana, o larvicida já não faz mais efeito. Por isso que todas as vezes que a gente passa nestes domicílios, a cada dois meses, aumenta o índice de infestação predial”, explica Carlos Alberto.

A situação também é verificada em municípios do Sertão paraibano. Na cidade de Desterro, cujo último índice de infestação registrado foi de 17,5%, os agentes da vigilância ambiental encontram outro problema, além do mal armazenamento da água. “São tanques de difícil acesso e casas que estão fechadas. Às vezes o dono mora na zona rural ou está viajando e acaba que no dia da visita a gente não tem acesso”, explica a agente Maria Célia.

De acordo com o secretário municipal de saúde, Rubens Marques, o armazenamento de água de forma inadequada também é uma das razões para o aumento nos focos. “O cuidado para evitar a dengue não é só um trabalho nosso enquanto secretaria. Os moradores têm que ter cuidado em casa, olhar recipientes e vasos com plantas, cubrir os tambores, potes e caixas de água. Este tem que ser um trabalho coletivo”, diz.

O agente Fernando Firmino visitou uma das residências na cidade de Puxinanã e mostrou como cuidar para evitar que o mosquito entre nos reservatórios. “Colocar uma bacia para tampar um tonel não faz uma vedação perfeita. A bacia é provisória e o mosquito, por ser um inseto pequeno, vai entrar de todo jeito. O ideal é usar uma tampa que feche completamente ou colocar um pano ou plástico com uma liga prendendo em volta do tonel para ele ficar 100% fechado”, recomendou.

Veja a lista das cidades em situação de risco de epidemia da dengue na Paraíba:

Água Branca (11%), Alagoa Grande (6,5%), Alagoa Nova (7,5%), Amparo (4,3%), Aparecida(4%), Araruna (5,4%), Areia de Baraúnas (4,6%), Barra de Santana (4,1%), Bom Jesus(11,1%), Bom Sucesso (11,5%), Brejo dos Santos (8,3%), Cacimba de Dentro (4%), Caiçara(4,3%), Cajazeiras (9,4%), Campina Grande (4,4%), Caraúbas (7,2%), Carrapateira (5,3%),Catolé do Rocha (19,2%), Desterro (17,5%), Emas (4,6%), Fagundes (6%), Frei Martinho (5%),Imaculada (8,1%), Itabaiana (6,5%), Itatuba (5,2%), Jericó (4,7%), Juazeirinho (7,2%),Juripiranga (5,6%), Lagoa Seca (7,1%), Malta (11,4%), Maturéia (4,6%), Monteiro (6,1%),Mulungu (4,4%), Ouro Velho (8,2%), Patos (5%), Pedra Lavrada (5,3%), Picuí (7,2%), Puxinanã (10,3%), Queimadas (4,1%), Riachão do Poço (4,1%), Riacho dos Cavalos (6%), Salgadinho(4%), Santa Terezinha (5,6%), São Bento (7,9%), São José de Caiana (4,5%), São José dos Ramos (4,1%), São Sebastião do Umbuzeiro (6,7%), Sapé (4,4%), Seridó (7,4%), Serra Grande (4,5%), Solânea (7,6%), Sousa (4,3%), Teixeira (6,9%).


G1 PB


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